sábado, 16 de julho de 2016

"Dilma na nuvem", por Ruy Castro





RIO DE JANEIRO (13/07/2016) - Vamos sentir saudades dela. Onde encontraremos outra tão deliciosamente inepta, magnificamente irresponsável e esplendidamente à vontade no seu sesquipedal despreparo? Ninguém se lhe compara na firmeza com que exerce seu desconhecimento sobre a lógica ou a aritmética mais simples. Ninguém a supera na arte de dizer sandices e, ao corrigir-se, dobrar a meta e dizer mais sandices. E ninguém faz isto num português tão tosco, singelo e de quinta. Refiro-me, claro, à ex-presidente Dilma Rousseff.


Depois de nos brindar com enunciados inesquecíveis sobre a mandioca, o vento estocado, a mulher sapiens, as pastas de dente que insistem em escapar do dentifrício e o meio ambiente como uma ameaça ao desenvolvimento sustentável, temia-se que seu afastamento nos privasse de novas contribuições ao nonsense. Mas Dilma não falha — é só colocar-se ao alcance de um microfone.

Sua última façanha está na internet e é facilmente acessível basta digitar "Dilma" e "nuvem". Ao saber outro dia que as acusações contra ela estão na "nuvem" — uma nova forma de armazenamento incorpóreo e universal de arquivos –, soltou os cachorros em entrevista a um canal de televisão.

"Pois bem", rugiu. "Inventam uma história fantástica. Que tá na nuvem. É. Tá na nuvem. Sei lá que nuvem. Sabe, eu não entendi muito bem essa história de nuvem. Tô aqui tentando apurar direitinho. Como é que uma coisa pode estar na nuvem? É muito simples estar na nuvem, não tem de provar. Que nuvem? Onde está a prova?"

A Dilma tá certa. Essa história de nuvem é mais uma tentativa de golpe contra uma mulher honesta, que fez o diabo para se eleger, digo, sofreu o diabo na ditadura. Quero ver provar. Mas o José Eduardo Cardozo [seu ministro de estimação, advogado e porta-voz] já está vendo isso. Ele vai desmoralizar essa nuvem.

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2016/07/1791119-dilma-na-nuvem.shtml

segunda-feira, 4 de julho de 2016

"A maior vitória de Lais", por Cilene Pereira


Cilene Pereira
fotos André Lessa
02/07/2016

A sessão de fisioterapia começou por volta das 13 horas de uma tarde gelada em São Paulo. Lais Souza estava encapotada. Calçava bota revestida de pele, calça grossa e por cima da blusa de manga comprida tinha um blusão acolchoado. Na cabeça, uma touca de lã cinza. “De mano”, disse com um sorriso de canto de boca, desses que fazem as pessoas parecerem mais novas do que são. Lais tem 27 anos, mas nesses momentos qualquer um pode dar a ela 15, no máximo 16 anos. O sorriso brincalhão aparece quando o gorro de mano cai e encobre a testa e os olhos, e Lais não pode fazer nada a não ser balançar a cabeça sem parar até que alguém a seu lado perceba. A ex-atleta Lais é assim. Miúda, delicada, doce, bem humorada. É desse jeito, com uma leveza encantadora, que ela está fazendo história. Já tinha feito no esporte, por ter ganhado uma coleção de títulos e participado de duas Olimpíadas (Atenas, em 2004, e Pequim, em 2008) como integrante da equipe brasileira de ginástica artística. Agora, Lais faz história na medicina.

Desde o dia 27 de janeiro de 2014, Lais não pode mais se movimentar do pescoço para baixo. Naquele dia, ela esquiava em Salt Lake City, nos Estados Unidos, em mais um treino de preparação para a Olimpíada de Inverno que aconteceu naquele ano em Sochi, na Rússia. Ela concorreria com a equipe brasileira de esqui aéreo, esporte de altíssimo desempenho e de uma beleza plástica admirável proporcionada pelas manobras em pleno ar executadas pelos atletas. Um choque contra uma árvore enquanto descia a montanha causou um deslocamento na terceira vértebra (C3) e quarta vértebra (C4) da coluna cervical. A lesão impedia a passagem de qualquer sinal nervoso do cérebro para o resto do corpo, e vice-versa. A estrada por meio da qual eram transmitidas e recebidas as informações que abasteciam o cérebro de Lais tinha sido bloqueada. Por isso, a ex-atleta perdeu a capacidade de andar, mexer os braços e sentir coisas como um toque na pele ou saber quando a bexiga está cheia.

A tragédia de Lais poderia ter ficado circunscrita à lista de fatalidades que acometem atletas que praticam esportes de alto risco. Mas a combinação da força da ex-ginasta com o empenho, conhecimento e carinho da equipe médica que a atendeu transformou o drama da brasileira de Ribeirão Preto em uma história extraordinária. Desde o início, soube-se que a situação era grave. Tanto que, dois dias após o acidente, Lais foi submetida a uma traqueostomia (introdução de um tubo na traqueia para permitir a respiração) e a uma gastrostomia (colocação de uma sonda alimentar diretamente no estômago). Em geral, esses procedimentos são feitos mais tardiamente e não logo depois dos acidentes. Neste período, avalia-se se serão mesmo necessários ou se o quadro pode ser revertido. No caso de Lais, eram escassas a chance de isso acontecer.


No acidente de 2014, Lais sofreu lesões nas vértebras C3 e C4, o que impedia a passagem de qualquer sinal nervoso a partir daquele ponto

Ela havia sido internada no Hospital Universitário de Utah. Em Miami, o médico brasileiro Antonio Marttos Júnior foi informado do caso. Especialista em trauma, ele a conhecia desde a Olimpíada de Londres, em 2012. Pouco antes do início dos Jogos, ela sofreu uma fratura na mão e foi atendida por ele. Depois de uma videoconferência com outros médicos e de analisar os exames de imagem da ex-atleta, Marttos decidiu pedir ajuda ao médico Barth Green, do Miami Project. A instituição é um dos principais centros de tratamento e pesquisa da paralisia, junto com a Universidade da Califórnia, também nos Estados Unidos, e algumas outras poucas instituições mundo afora. Lais foi transferida para o Jackson Memorial Hospital, em Miami, onde passou a ser atendida.

Desde o início, a ideia era investir pouco a pouco na reabilitação da ex-ginasta. “Lais não tem pela frente uma corrida de 100 metros rasos”, compara Marttos Júnior. “Tem uma maratona.” Pequenos progressos, como respirar sozinha e conseguir engolir, foram festejados. O primeiro passeio fora do quarto, de cadeira de rodas nos jardins do hospital, também. Com as respostas positivas e a disposição de Lais para encarar o que viesse pela frente, a equipe médica decidiu dar um passo maior: testar a eficácia das células-tronco em lesões como a da ex-atleta.

Células-tronco são células que ainda não se especializaram. Não são células ósseas, sanguíneas ou neurônios, por exemplo. São como matrizes prontas para se transformar nas células do lugar onde estão ou onde forem colocadas. A ideia é que, infundidas no cérebro, possam virar neurônios ou enriquecer a rede de vasos sanguíneos. Induzidas a virarem cartilagem, podem ser usadas em áreas danificadas dos joelhos. Por essa capacidade, elas têm sido alvo de intensos investimentos da ciência nos últimos dez anos. O sonho é utilizá-las como espécies de peça de reposição para substituir as que foram quebradas.

Há bons resultados em seres humanos na recuperação do músculo cardíaco afetado pelo infarto. No tratamento da tetra ou paraplegia há muito ainda sendo estudado. O objetivo é melhorar as condições de funcionamento das áreas lesadas, fazendo com que elas auxiliem na regeneração de partes dos feixes nervosos e ajudem na recuperação de áreas danificadas.


Lais enfrenta as cansativas e, por vezes, dolorosas sessões de fisioterapia com otimismo. A bagagem adquirida como atleta é decisiva do ponto de vista físico e mental

Lais pouco sabia a respeito desse mundo novo da medicina. Quando descobriu a intenção da equipe que a atendia, perguntou tudo o que queria saber e, mais uma vez, confiou plenamente nos especialistas. “Esses médicos são todos doidos”, diz, dando risada. Com a ajuda do consulado brasileiro em Miami, do médico Marttos Júnior e de todo o pessoal do Miami Project, Lais tornou-se a primeira pessoa nos Estados Unidos a conseguir uma autorização do Food And Drug Administration (FDA) – agência americana responsável pela liberação de drogas e tratamentos – para usar célula-tronco em tratamentos de lesão medular.

Há várias fontes de células-tronco no corpo. Em dentes de leite ou no sangue menstrual, por exemplo. Também podem ser extraídas de embriões Estas últimas podem se transformar em ainda mais tecidos do que as retiradas de adultos, mas sua utilização esbarra na questão ética de usar embriões. Nos protocolos de estudo, o mais comum é tirar as células-tronco presentes na medula óssea (o órgão que produz as células sanguíneas). A extração costuma ser feita da medula óssea presente no osso da bacia.

Lais passou por esse processo. Depois de retiradas, suas células foram replicadas em grande número em laboratório e reinjetadas no local da lesão. O procedimento foi repetido três vezes, com intervalo de um mês entre cada um.“Após as injeções, ela dizia que sentia formigamento no corpo todo”, diz Marttos Junior

Hoje, passados pouco mais de dois anos do acidente, Lais apresenta progressos surpreendentes. “É uma melhora atípica para quem sofreu uma lesão como a dela”, afirma o médico. Antes, ela sentia pontos de sensibilidade abaixo do pescoço. Agora, são áreas inteiras que se tornaram sensíveis. “Não sei ainda dizer se é a mão de alguém tocando minha barriga ou água caindo, mas sinto”, conta ela. A ex-ginasta também já consegue perceber quando a bexiga está cheia ou se está em posição desconfortável. E é difícil não se emocionar ao vê-la girando o corpo usando a força dos ombros.


Não se sabe dizer o quanto da melhora se deve às células-tronco. O mais provável é que ela seja resultado de uma associação muito feliz de fatores. “Grande parte de seus progressos se deve a sua excelente forma física antes do acidente, sua determinação e disposição firme no trabalho de reabilitação”, diz o médico James Guest, do Miami Project, que acompanha Lais desde o começo. “Ela se dedica a sua recuperação como se estivesse treinando para mais uma Olimpíada.”

Os dias da ex-ginasta são de muito trabalho. Ela faz sessões praticamente diárias de fisioterapia com duração mínima de duas horas. Em São Paulo, o tratamento é feito no Acreditando, um centro especializado em reabilitação de pessoas com lesões medulares ou neurológicas criado por um casal de cadeirantes. Vê-la se esforçando para executar os movimentos pedidos pelos profissionais – quatro se revezam no atendimento a Lais – é ganhar uma lição de determinação. Gestos simples para a maioria das pessoas, como empurrar a mão de outra pessoa, exigem dela uma aplicação e concentração impressionantes. O esforço é visto nas caretas que faz durante a execução dos movimentos, e a recompensa vem com um semblante de alívio e de alegria por ter cumprido a tarefa pedida. “Todo dia faço um pouquinho mais”, conta.

Na clínica, todos torcem por todos e os progressos são muito comemorados. “No caso da Lais, os principais ganhos são o aumento da atividade nos braços, começando com sinais nos bíceps e tríceps”, diz a fisioterapeuta Natália Padula, uma das que a atende. Esse tipo de melhora ajuda a ex-ginasta a rolar, por exemplo. Já o fortalecimento do abdome permite que ela tenha uma postura mais correta quando está sentada e também que fique de pé, com auxílio dos equipamentos. Quando chegou à clínica, há um ano, ela ficava ereta por no máximo cinco minutos. Hoje, chega a permanecer nessa posição por até meia hora.

A bagagem adquirida por Lais como atleta é decisiva na sua reabilitação. No aspecto físico, ela guarda uma consciência corporal que a auxilia na execução dos movimentos, sabendo com precisão a região, os músculos a serem acionados. Do ponto de vista comportamental, Lais mantém a disciplina e o treino de todo atleta para superar os tombos e pensar adiante. “Por mais momentos de fraqueza que tenha, ela consegue se concentrar e pensar no próximo passo”, diz Marttos Júnior

Nos planos da ex-atleta, são muitos os próximos passos. A começar pela programação para os Jogos do Rio. No dia 24 de julho, ela participará da passagem da tocha olímpica por São Paulo. Durante as competições, trabalhará como consultora de uma rede de tevê esportiva e, depois, estará presente na Paraolimpíada.

Mas Lais está preocupada. Teme que depois dos Jogos as atenções aos atletas se enfraqueçam, como sempre acontece. Atualmente, ela tem dado palestras e contado com a ajuda da família, amigos e empresas para custear seu tratamento. O piloto Helio Castro Neves, o jogador Neymar e o cavaleiro Doda Miranda estão entre os que contribuíram. A Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro, também.

Para aprimorar seu desempenho nas palestras, ela planeja tomar aulas de canto – ajudará na empostação da voz e na respiração – e de oratória. Em um futuro um pouco mais distante, mas nem tanto, está o plano de estudar psicologia. E se depender dos amigos que fez no Miami Project, ela continuará a fazer história na medicina. “Lais é tão motivada e uma pessoa tão boa para se trabalhar que queremos oferecer a ela toda terapia que considerarmos úteis”, diz o americano James Guest. Nas palavras do cientista, isso inclui a implantação de chips que fazem a interface entre o cérebro e o resto do corpo, permitindo que a mente controle os movimentos. Lais continuará a sua maratona – e certamente chegará bem longe.

NA VANGUARDA DA MEDICINA

Lais foi a primeira pessoa a receber autorização do FDA – agência americana responsável pela aprovação de remédios e tratamentos – para se submeter a uma terapia com células-tronco para tratar lesões medulares. Confira o que foi feito até agora

_O acidente com a ex-ginasta aconteceu no dia 27 de janeiro de 2014, quando ela se preparava para competir nos Jogos Olímpicos de Inverno, em Sochi, na Rússia. Lais disputaria o esqui aéreo. Ao se chocar contra uma árvore, a atleta perdeu os movimentos e a sensibilidade do pescoço para baixo

_Desde o início do ano, Lais vem se submetendo a terapia com células-tronco. Elas são capazes de se transformar em vários tecidos do corpo. Por isso, a ideia é que elas ajudem na regeneração de partes dos feixes nervosos e ajudem na recuperação de áreas danificadas.

_Células-tronco foram extraídas da medula óssea de Lais contida no osso da bacia

_Foram replicadas em grande número em laboratório e reinjetadas no local da lesão

_Houve três aplicações, com intervalo de um mês entre cada uma

_Vários estímulos sensitivos e alguns motores começaram a chegar a regiões abaixo da lesão

_De completa, a lesão passou a ser considerada incompleta. Ou seja, há passagem de sinais nervosos para baixo da área lesada e chegando à região sacral

_Lais já sente, por exemplo, quando sua posição está desconfortável ou a bexiga está cheia. Também consegue se virar

_São grandes progressos, considerando a gravidade da lesão que a vitimou

http://www.istoe2016.com.br/a-maior-vitoria-de-lais/

sexta-feira, 13 de maio de 2016

"Sem medo do futuro, por um novo Brasil!", por Roberto Freire

Por Roberto Freire, para o Blog do Noblat

A histórica decisão do Senado Federal, que por 55 votos a 22 aprovou a admissibilidade do processo de impeachment de Dilma Rousseff e o consequente afastamento da presidente do cargo por até 180 dias, coloca um ponto final no governo mais corrupto que a República já conheceu e inaugura um novo momento da vida nacional. Após 13 anos de desmantelo e irresponsabilidade, o ciclo de poder do lulopetismo chega ao fim, de forma democrática e constitucional, e o país tem a oportunidade de construir um novo caminho para superar a grave crise econômica que enfrenta, a maior de nossa história.

Depois de o processo ser instaurado na Câmara com os votos de mais de dois terços dos deputados, coube aos senadores atenderem ao desejo amplamente majoritário dos brasileiros e admitirem a abertura do processo de impedimento, de acordo com o que determina a Constituição Federal e a Lei 1.079, de 1950, em procedimento legítimo, legal e conduzido desde o início pelo Supremo Tribunal Federal, a máxima Corte do Judiciário. Com a decisão, Dilma é afastada imediatamente de suas funções, que passam a ser exercidas pelo vice-presidente Michel Temer, e aguarda o julgamento definitivo dos senadores no prazo de até 180 dias.  

É evidente que a expressiva votação, cujo placar em favor da admissibilidade do processo já apontou mais do que os dois terços dos senadores suficientes para o afastamento definitivo da presidente da República, mostra que Dilma perdeu as condições mínimas de governabilidade, assim como a autoridade moral, o respaldo e o respeito da sociedade brasileira.

O Senado não pode esperar seis meses para julgar a presidente afastada, sob pena de fazer o país sangrar ainda mais em meio à recessão da economia, com mais de 11 milhões de desempregados, inflação galopante, endividamento crescente das famílias e uma total incerteza sobre o futuro, especialmente entre os mais pobres. É necessário acelerar esse processo e, dada a maioria qualificada já obtida pelo impeachment, realizar o julgamento o mais rápido possível para que o Brasil vire uma triste página de sua história e comece a se reencontrar consigo mesmo.

Os estertores do governo lulopetista foram marcados, como era de se esperar, por um lamentável espetáculo de chicanas, artimanhas e tentativas de golpe contra as instituições da República. Perplexo, o país acompanhou a indecorosa trama urdida em conluio entre o presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão, e o advogado-geral da União, o petista José Eduardo Cardozo, que tentaram anular a votação do impeachment na Casa. Felizmente, o presidente do Senado rechaçou a manobra e, mais tarde, o próprio deputado revogou seu ato vergonhoso.


Enquanto isso, o Palácio do Planalto foi transformado nos últimos dias em um “bunker” no qual Dilma e seus escassos aliados disparavam ataques à democracia e tentavam confundir a opinião pública e desviar a atenção dos crimes de responsabilidade cometidos por este governo. A desmoralização chegou a tal ponto que, às vésperas da votação no Senado, alguns movimentos sociais aparelhados pelo lulopetismo tomaram o Planalto e ali se instalaram com faixas e bandeiras, em uma patética resistência contra um “golpe” que jamais existiu.

Com a conclusão das duas votações pela admissibilidade do processo de impedimento da presidente, após resultados inquestionáveis nas duas Casas do Congresso, o Brasil dá o primeiro passo para a reconstrução nacional de que tanto precisamos nesta quadra delicada. As forças políticas que votaram pelo afastamento de Dilma e levaram ao fim a gestão lulopetista têm agora a responsabilidade histórica de apoiar o governo de transição, ao contrário do que fez o PT com Itamar Franco em 1992, após ter participado ativamente do impeachment de Collor. 

A gravidade da hora não nos permite fugir de nossas responsabilidades com o Brasil e com os brasileiros. A estrada será longa, o caminho pode ser tortuoso, mas não devemos ter medo da mudança, da história ou do futuro que já se apresenta bem diante dos nossos olhos. É hora de virar a página e recuperar o país, tão castigado nos últimos 13 anos. Que venha o novo governo, que venha um novo Brasil!

Roberto Freire é deputado federal por São Paulo e presidente nacional do PPS

http://robertofreire.org.br/site/noticias/item/3478-artigo-de-roberto-freire-no-blog-do-noblat-sem-medo-do-futuro-por-um-novo-brasil

"O novo venceu o velho", por Marco Antônio Villa

Não temos tradição de enfrentar o Estado. Pelo contrário.

POR MARCO ANTONIO VILLA*
12/05/2016 14:00

RIO - O projeto criminoso de poder foi ferido de morte. Se a crise econômica e a Lava-Jato tiveram importante papel neste processo, foram as ruas que decidiram a parada. As quatro manifestações de massa de 2015 sinalizaram que não havia mais meios de uma conciliação pelo alto. De uma saída à la brasileira, dentro da velha tradição nacional. O ponto final foi o dia 13 de março, quando milhões saíram às ruas e apontaram que o impeachment era a única solução para a mais grave crise política do Brasil.

No Senado — já são favas contadas — o julgamento vai condenar o governo petista por crime de responsabilidade. A pena (política) de Dilma é amena: será inabilitada, por oito anos, para o exercício de função pública. Mas o PT foi destroçado. Saiu do governo com a pecha de corrupto. Pior ainda: de ter organizado o maior desvio de recursos públicos da história. Diferentemente de 1992, a condenação não será individualizada. Não. A condenação foi do partido — e de seus asseclas, como PC do B, PSOL e parte da Rede — e de um projeto que construiu, no interior do Estado, o que o ministro Celso de Mello chamou, em um dos votos da AP-470, de “macrodelinguência governamental.” Conseguir reabilitação política a curto prazo é impossível. O PT vai se fragmentar em pequenos partidos, sem força eleitoral expressiva. E o projeto de poder que sustentou parte da esquerda brasileira morreu.

O que chama a atenção foi como tudo ruiu tão rapidamente, no sentido político, claro, pois a crise econômica tinha sido gestada no segundo governo Lula e já dava sinais de agravamento desde 2012. Ter devassado os “marginais do poder”, expressão também de Celso de Mello, deu à Lava-Jato um importante papel. Porém, o governo ainda apresentava condições de conviver com o escândalo, tentando diminuir seus efeitos políticos, mantendo sob seu jugo a base da pirâmide social — os mais pobres —, o andar de cima, via bolsa BNDES e o colchão de amortecimento representado por intelectuais, artistas, docentes universitários e movimentos sociais que funcionavam como os tonton-macoute do petismo em troca de generosos apoios às suas ações.

Este bloco parecia invencível. E o Brasil condenado a sustentá-los ad eternum. Coube à sociedade civil desatar o nó górdio do projeto criminoso de poder. Não temos tradição de enfrentar o Estado. Pelo contrário. O Estado é fonte de tudo. Mas desta vez a sociedade deixou de ser invertebrada. Foi um processo maturado nas redes sociais e nos movimentos autônomos que foram surgindo nos últimos anos. A espontaneidade foi a marca deste momento. Quem imaginaria o sucesso da manifestação de 15 de março de 2015?

Os velhos formadores de opinião ficaram olhando para o passado. Foram aliados — alguns entusiásticos — do projeto criminoso de poder. Acharam que tinham um poder de influência fantástico. Coitados. Ficaram falando sozinhos. Ninguém mais os lia ou os ouvia. Seus gritos foram recebidos com risos. Falavam de golpe quando se estava cumprindo o que era determinado pela Constituição. Perderam feio. Quiseram até acionar o Papa. Patético!



*Marco Antonio Villa é historiador

"Senado Federal: Penúltimo Ato", por José Serra


O Estado de S. Paulo, 12 de maio de 2016
No inferno, os lugares mais escuros estão reservados aos que, em momentos de grande crise moral, mantiveram-se neutros. (John Kennedy, lembrando Dante)
Se tudo caminhar como o previsto, o Senado já terá acolhido, até esta quinta-feira, o juízo de admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. A partir daí, ela permanecerá afastada do cargo até os senadores decidirem, em até seis meses, sobre o impeachment propriamente dito. Creio que a Casa decidirá pelo afastamento definitivo de Dilma bem antes desse prazo.
Sou a favor da admissibilidade e do impedimento. Sem alegria, mas para cumprir um dever. Ao fim e ao cabo, o impeachment é um processo arrastado, penoso, que provoca constrangimentos pessoais, produz alianças estranhas e representa uma quase tragédia para o país. Deveríamos procurar evitá-lo – se pudéssemos e se fossem outras as circunstâncias. Mas ele agora se impõe como um remédio amargo, porém essencial. A continuidade do governo Dilma seria uma tragédia maior. Este é o ponto a que chegamos.
O derretimento da produção, do emprego e das condições sociais, a exacerbação dos conflitos políticos e do risco de colapso do Estado de Direito, além dos indícios de crimes de responsabilidade, não deixaram outra saída senão o afastamento da presidente pelo caminho preconizado na Constituição.
Que fique claro: crime de responsabilidade tem natureza político-administrativa e é julgado pelo Senado. Não é o mesmo que crime comum, que tem natureza penal e é julgado pelo Poder Judiciário.
De fato, o governo não atendeu à exigência de autorização legislativa prévia para gastos públicos e recorreu a operações de crédito dissimuladas junto a instituições controladas pela União. Daí a rejeição das contas de 2014 pelo TCU, que se estendeu ao exercício de 2015. São indícios suficientes para abrir a segunda fase do processo.
Os defensores de Dilma martelam o refrão do “golpe”, como se sua retórica pudesse se sobrepor à Carta de 1988. O impeachment não é uma medida de exceção, mas uma solução constitucional. E é evidente que envolve também um processo político, e não se esgota na dimensão jurídica formal, tanto que o “tribunal” é formado por parlamentares com mandato eletivo. Isso não equivale a menosprezar as provas dos crimes de responsabilidade, cujo mérito será considerado nos próximos meses pelo Senado. Mas é preciso levar em conta também os fatores políticos que condicionam os parlamentares.
O mais essencial deles é a rejeição avassaladora ao governo Dilma, medida pelas pesquisas e escancarada pelas manifestações de protesto que ganharam as ruas numa escala inusitada no Brasil. Tal rejeição é constatada pelos parlamentares quando retornam a seus estados. Os que são opositores voltam mais radicais; os governistas se tornam menos governistas, pois temem por suas chances de reeleição, preocupação obsessiva de cada deputado desde seu primeiro dia de mandato.
A rejeição vem, de um lado, do agravamento da crise econômica. De outro, das revelações da operação Lava Jato. Tudo num contexto de inépcia administrativa, isolamento político autoinflingido e debilidade na comunicação, marcas do governo Dilma Rousseff.

Como subestimar a responsabilidade da presidente pelas causas da erosão de sua popularidade? O quadro atual, de mergulho do PIB, explosão do desemprego, fechamento de empresas e expansão alucinada da dívida pública, não é um efeito retardado da crise mundial de 2008/2009 nem pode ser imputado à oposição. É fruto das profundas distorções econômicas que Dilma herdou de seu antecessor, de quem foi chefe da Casa Civil, e que agravou mediante uma série de equívocos de sua lavra: emperramento das parcerias com a área privada na infraestrutura; isenções tributárias caras e ineficientes que agravaram a crise fiscal; repressão insustentável e eleitoreira dos preços dos derivados de petróleo e da energia elétrica, prosseguimento das loucuras cometidas na gestão da Petrobrás. Pesou, ainda, o estelionato na reeleição da presidente, cuja campanha acusava seu adversário de pretender implantar medidas econômicas “perversas” que ela própria tratou de emplacar em seguida.
Quanto à corrupção, os escândalos do passado empalidecem diante do esquema do “mensalão” e do “petrolão”, como apontou o Procurador Geral da República. Seu núcleo político se confunde, desgraçadamente, com a cúpula do partido que Dilma representa na chefia do governo. Mesmo que a presidente não tenha se locupletado, isso não a exime da responsabilidade política pelo ocorrido.
Depois das eleições de 2014, em entrevistas e pronunciamentos, reiterei sempre minha convicção de que a presidente Dilma não chegaria ao final do seu mandato. Não sabia como, mas sentia que o aprofundamento da crise econômica, a rejeição popular crescente, a perda de sustentação política, o descrédito geral, a Lava-Jato e o desnorteamento das ações governamentais abreviariam o segundo mandato. Houve quem, como Fernando H. Cardoso, sabiamente sugerisse a renúncia da presidente e a organização de uma transição negociada e mais suave para um novo governo, proposta desprezada por quem deveria praticá-la.
Incompetência, impopularidade e perda do controle da administração pública não são motivos suficientes para afastar um presidente, como, aliás, Dilma e seus defensores têm melancolicamente repisado. Mas a perda de legitimidade política decorrente desses fatores e da deterioração do principal partido do governo, outrora arauto da moralidade e da ética na política, ao lado das transgressões fiscais comprovadas, não deixam outra saída.
O impeachment não representa o fim dos problemas do país, mas tornou-se condição necessária para começarmos a lidar com eles. Vamos enfrentar o árduo desafio da reconstrução nacional, passando por uma profunda reforma política. Isso depende de esforços convergentes das grandes instituições – Executivo, Legislativo e Judiciário. Mão à obra!

quarta-feira, 4 de maio de 2016

"Denúncia contra Lula tem o peso de uma lápide"', por Josias de Souza

Josías de Souza
O cronista Nelson Rodrigues ensinou que a morte é anterior a si mesma. Começa antes, muito antes. É todo um lento, suave, maravilhoso processo. O sujeito já começou a morrer e não sabe. Tome-se o caso de Lula. Fenece politicamente desde 2005, quando explodiu o mensalão. Mas demorou dez anos para que a Procuradoria-Geral da Repúlica providenciasse a lápide.
Veio na forma de uma denúncia e de uma petição ao STF. Na denúncia, o procurador-geral pede a conversão de Lula em réu por ter tentado comprar o silêncio do delator Nestor Cerveró. Na petição, requisita a inclusão de Lula e outras 29 pessoas no “quadrilhão”, como é conhecido o principal inquérito da Lava Jato. Nesse texto, Janot esculpiu um epitáfio com cara de óbvio:
“Essa organização criminosa jamais poderia ter funcionado por tantos anos e de uma forma tão ampla e agressiva no âmbito do governo federal sem que o ex-presidente Lula dela participasse.''
A conclusão do procurador-geral elimina uma excentricidade dos governos do PT. Está chegando ao fim a era da corrupção acéfala. Janot fez, finalmente, justiça a Lula, protegendo-o de si mesmo. A pose de Lula diante da roubalheira não fazia jus à sua fama.
O mal dos partidos políticos, como se sabe, é que eles têm excesso de cabeças e carência de miolos. O PT sofre da mesma carência, mas com uma cabeça só. Desde que empinou a tese do “não sabia”, Lula vinha renegando sua condição de cérebro solitário do PT. Reivindicava o papel de cego atoleimado.

Se aceitar a denúncia da Procuradoria, o STF não irá apenas transformar Lula em réu. Restabelecerá a lógica, acomodando o personagem no topo da hierarquia da quadrilha.
Mirando para baixo, Janot disparou várias balas que muitos davam como perdidas. Requereu a inclusão no inquérito do “quadrilhão” de vários nomões do PT, do PMDB e da vizinhança de Dilma.
Gente como os ministros palacianos Jaques Wagner, Ricardo Berzoini e Edinho Silva; os ex-ministros Erenice Guerra, Antonio Palocci e Henrique Alves; os senadores Jader Barbalho e Delcídio Amaral; o deputado Eduardo Cunha… De quebra, foi alvejado o principal assessor de Dilma, Giles Azevedo.
Como se fosse pouco, Janot requereu a abertura de inquérito contra a própria Dilma, o advogado-geral do impeachment, José Eduardo Cardozo e, de novo, Lula. Acusa-os de tentar obstruir as investigações.
No início de março, quando foi conduzido coercitivamente para prestar depoimento à Polícia Federal por ordem do juiz Sérgio Moro, Lula reagiu com uma entrevista de timbre viperino. “Se quiseram matar a jararaca, não bateram na cabeça, bateram no rabo, porque a jararaca está viva.'' Pois bem. Janot acertou a cabeça da víbora.
Lula estava zonzo desde o dia em que o doutor Moro atrapalhou sua nomeação para a Casa Civil jogando no ventilador os diálogos vadios captados em grampos legais. Numa conversa com Dilma, a jararaca destilara todo o seu veneno:
“Nós temos uma Suprema Corte totalmente acovardada, nós temos um Superior Tribunal de Justiça totalmente acovardado, um Parlamento totalmente acovardado. […] Nós temos um presidente da Câmara fodido, um presidente do Senado fodido. Não sei quantos parlamentares ameaçados. E fica todo mundo no compasso de que vai acontecer um milagre e vai todo mundo se salvar…”

Depois disso, a Suprema Corte avalizou o rito do impeachment, o presidente da Câmara coordenou a goleada de 376 X 137, o presidente do Senado passou a flertar com o vice-presidente “conspirador”, os parlamentares traem madame gostosamente e Lula revela-se uma cobra sem veneno. Tornando-se réu, talvez chegue a 2018 mai perto da cadeia do que das urnas.
Quanto a Dilma, ninguém estranharia se o noticiário sobre sua Presidência migrasse da editoria de política para o espaço que os jornais reservam aos avisos fúnebres. Os curiosos lêem compulsivamente, à espera de uma surpresa agradável. Jurada de morte, madame tenta se convencer de que ainda está cheia de vida. Mas todos sabem, inclusive seus aliados, que, mais dia menos dia, acaba o seu dia a dia. Tudo passa, exceto o PMDB, que é imortal.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

A Bela e a Bunduda

Meus caros,
a inversão de valores e a a política de dois pesos e duas medidas do PT e linhas auxiliares (PSOL, PCdoB etc.) já não me surpreendem mais. Desde a ascensão do lulopetismo, o costume foi de acusar, criticar e ridicularizar aos berros, e quando a merda vai pro ventilador em seu próprio quintal, o discurso muda, como por encanto, e aí "calma aê", "vamos discutir de forma equilibrada", "todo mundo é legal", "todo mundo deve fazer o que quiser", "isso é machismo", "isso é homofobia", "isso é sei lá o quê", "não vai ter golpe". Tudo se torna convenientemente "relativo", a discussão deixa de ser política para se tornar "social", e outras parlapatices sem qualquer profundidade, com o fito único de defender hoje aquilo que até ontem era julgado indefensável.

O caso mais recente é de uma matéria da Veja sobre a mulher de Michel Temer. Sem ter sequer entrevistado Marcela Temer, a jornalista que escreveu o artigo o intitulou de "Bela, recatada e 'do lar'". Nele, sabemos que Marcela tem idade para ser neta de Temer, é casada com ele há 13 anos, os dois têm um filho de 7 anos, ela - segundo a jornalista - "aparece pouco, gosta de vestidos na altura dos joelhos e sonha em ter mais um filho com o vice".

A semana seguinte foi de uma avalanche de memes zombando da mulher de Temer por conta do título da reportagem. Alguns engraçados, outros nem tanto. Mulheres usaram o Face e o Twitter e publicaram fotos na balada, enchendo a cara, na praia, fazendo as mais variadas coisas, e sempre com o texto "Bela, recatada e do lar". Luciana Genro publicou uma foto cercada de policiais (momento em que a filha do governador provavelmente salvava o Brasil da invasão imperialista), tudo no afã de mostrar o quanto é ridículo Marcela ser aquilo que nunca disse que era: "bela, recatada e do lar". E mesmo que tivesse dito, estou até agora tentando processar na minha cabeça o que há de errado com ela ser "bela, recatada e do lar".

Ante-ontem a Internet foi invadida por fotos da Milena Santos, esposa do ministro do Turismo, Alessandro Teixeira. Ex-Miss Bumbum, conhecida por agarrar e beijar Lula em uma manifestação qualquer, por tirar fotos de fio dental em frente ao congresso e pelos 323 votos que obteve em sua última tentativa de se eleger vereadora, Milena achou por bem comemorar a investidura do marido tirando fotos de gosto questionável dentro do gabinete do dito cujo, e postá-las no Face. O texto, de sua própria lavra: "Não é atoa (sic) que ao lado de um grande Homem, existe sempre uma linda e poderosa mulher". Ato contínuo, as fotos viralizaram, como mais um exemplo, entre dezenas, da decadência moral e do processo de liquidação do governo Dilma.

O ministério lançou nota onde "repudiou a exposição da intimidade do casal", o que espero ter sido um pito do ministro na mulher, porque até onde sei, ninguém invadiu o celular da moça para roubar as fotos e fazer um post público na maior rede social do mundo. Diante da repercussão Milena apagou a postagem se dizendo “indignada com a falta de ética e respeito das pessoas”, o que dispensa comentários.

Já a reação das lulopetistas, feministas e quejandos foi: "calma aê", "vamos discutir de forma equilibrada", "todo mundo é legal", "todo mundo deve fazer o que quiser", "isso é machismo", "isso é homofobia", "isso é sei lá o quê", "não vai ter golpe".

A zombaria e o sarro com Marcela Temer pararam misteriosamente e de ontem pra hoje o que se vê são postagens hilárias de meninas lulopetistas explicando que "nem uma nem outra", "o problema não é esse", "as duas devem ser respeitadas", "a mulher deve fazer o que quiser", "a Dilma foi chamada de vagabunda" e daí pra baixo na escala dos sofismas, das desculpas esfarrapadas, do cabresto ideológico e da mais rematada cretinice. Ou seja, ao invés de transcender seu lulopetismo por um segundo, lembrar que são feministas em primeiro lugar, lembrar da compostura inerente a um cargo público e condenar com a máxima veemência o showzinho da esposa do ministro, que reforça para o mundo uma já conhecida imagem do que é a mulher brasileira, vão a esse paroxismo de cinismo e hipocrisia.

Onde está essa patrulha quando o Lula disse que Pelotas é uma cidade "exportadora de viados"? Onde, quando o Lula fala das mulheres de "grelo duro"? Onde, quando ele disse o que disse de sua própria secretária, Clara Ant? Mais do que isso: e se fosse a esposa de Bolsonaro tirando fotinhos sensuais no gabinete dele? E se fosse Letícia Weber, outro exemplo, aliás, de bela, recatada e do lar? Estaríamos vendo passeatas na Paulista! Feminazis mijando sobre as fotos deles. Maria do Rosário, Luciana Genro e Jandirão queimando suas roupas em praça pública. Mas como se trata de um ministro do governo lulopetista, "calma aê", "vamos discutir de forma equilibrada", "todo mundo é legal", etc...

Exigem respeito mas tratam o feminismo por prisma ideológico...

Hipócritas.
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